NOVA COLEÇÃO · PÍA CARREGAL
Toda matéria possui uma lógica própria. Cada seda, gaze, veludo ou superfície apresenta um comportamento, uma tensão e uma forma latente. Em MORFOGÊNESE, o processo criativo não consiste em impor uma silhueta, mas em escutar esse impulso e acompanhá-lo até que encontre sua própria expressão.
As peças nascem do diálogo entre a estilista e a matéria. Algumas formas fluem como água, outras crescem como fibras vegetais e outras adquirem um caráter escultórico. A natureza não aparece como decoração, mas como princípio de construção.
A beleza imperfeita não é o ponto de partida, mas a consequência. Ao respeitar o comportamento do material, permanecem as marcas do processo: dobras irrepetíveis, tensões, caimentos, bordas vivas e gestos manuais. Essa autenticidade é parte essencial de cada peça.
Uma paleta intensa, inspirada em ecossistemas vivos, convive com brancos, tons crus, cinzas e azuis-claros suaves, criando pausas visuais. As plumas, os veludos e os acessórios acompanham o movimento sem competir com a peça. A maquiagem e o penteado permanecem naturais para que a mulher e a matéria sejam as protagonistas.
A música, tendo Stardust, de Poranguí, como eixo, proporciona uma atmosfera contemplativa e orgânica que acompanha o espírito da coleção.
Toda matéria carrega uma memória e uma possibilidade de forma.
Criar é escutar esse impulso, acompanhar sua transformação e permitir que emerja uma beleza viva, autêntica e imperfeita.
MORFOGÊNESE celebra o nascimento da forma quando a criação dialoga com a natureza do material.